segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A IGREJA CATÓLICA E AS TOURADAS



Retirado do blog:  http://osnossosbichinhos.blogs.sapo.pt/4569.html

"Já muito tem sido escrito acerca das touradas. No entanto, temos normalmente tendência a focar-nos na crueldade do espectáculo sangrento para os animais e degradante para quem assiste, esquecendo-nos por vezes das promiscuidades que a ele estão ligadas. Tudo o que seja um espectáculo bárbaro em que as pessoas se deleitam em assistir à tortura e morte de um animal na arena, para júbilo dos espectadores, diminui a dignidade humana e é notoriamente contra os princípios cristãos. Como tal, na pele de mensageiros de Deus, padres, bispos, cardeais e demais membros do clero católico não deveriam apoiar tal espectáculo.

No entanto, a hierarquia da Igreja Católica está muito envolvida na promoção das touradas. A Rádio Renascença, emissora católica portuguesa, não só promove amplamente as touradas e respectivos intervenientes, como todos os anos organiza uma tourada. Por esse país fora, há festas populares com corridas de touros (vulgo touradas) abençoadas pelo padre local. Em Barrancos, por exemplo, o padre sempre defendeu os touros de morte mesmo quando eram ilegais. Mais ainda, praça de touros que se preze tem uma capela e um capelão. E, como se isto não bastasse, não são poucos os padres “aficionados” e que o manifestam publicamente, como se isso nada tivesse de incompatível com a doutrina de Jesus Cristo.

Um desses casos é o bem conhecido P.e Vítor Melícias, que poderá facilmente ser encontrado nalguma praça de touros deste país a aplaudir e regozijar-se enquanto os touros são torturados. Mais caricato ainda é o facto de o P.e Vítor Melícias tratar-se de um Franciscano que, notoriamente, despreza os ensinamentos de São Francisco de Assis:




Não magoar os nossos humildes irmãos [os animais] é o nosso primeiro dever para com eles, mas parar aí não é suficiente. Temos uma missão mais elevada: servi-los sempre que eles necessitem. — São Francisco de Assis

Além disso, a União das Misericórdias Portuguesas, presidida pelo próprio P.e Melícias e com fortes ligações à Igreja Católica, é proprietária de 18 praças de touros, recolhendo dividendos da tortura de seres inocentes.

É mais que chegada a altura de a Igreja Católica assumir uma posição crítica acerca das touradas. Se a Igreja Católica se pronuncia sobre assuntos relacionados com a sociedade, a política, a educação e a família, entre tantos outros, por que não se pronuncia a Igreja claramente contra a tamanha barbárie que são as touradas? Certamente que não se espera uma batalha por parte da Igreja contra as touradas, mas pelo menos não as deveria defender nem promover na voz de alguns dos seus representantes. Quanto mais não seja porque, segundo a Bula de Pio V, as corridas de touros foram proibidas sob pena de excomunhão de todos aqueles que as praticassem ou a elas assistissem.

É oportuno relembrar as palavras sensatas de Abraham Lincoln:

Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais. – Abraham Lincoln

Seja a voz dos animais e demonstre o seu repúdio pelo apoio/conivência da Igreja Católica, ou de pessoas ou instituições a ela ligadas, face às touradas. Com o nosso protesto, podemos contribuir activamente para o fim das touradas em Portugal".


MEU COMENTÁRIO SOBRE O ASSUNTO:

É de facto estranho e contraditório que a Igreja Católica aprove e promova ainda em Portugal (e Espanha) os espectáculos sangrentos e violentos como as Touradas que a própria UNESCO condena.

Digo contraditório porque a 1 de Novembro de 1567, o Papa Pio V publicou a bula "De salute gregis dominici", ainda em vigor, onde diz sobre as touradas o seguinte:“

(...) Considerando que estes espectáculos que incluem touros e feras no circo ou na praça pública não têm nada a ver com a piedade e a caridade cristã, e querendo abolir estes vergonhosos e sangrentos espectáculos, não de homens, mas do demónio, e tendo em conta a salvação das almas na medida das nossas possibilidades com a ajuda de Deus, proibimos terminantemente por esta nossa constituição a celebração destes espectáculos ...”(in "Bullarum Diplomatum et Privilegiorum Sanctorum Romanorum Pontificum Taurinensis editio", tomo VII, Augustae Taurinorum, 1862, pág. 630-631.)

Portugal já foi um país sem touradas no Reinado de D. Maria II, em que o Ministro do Reino foi Passos Manuel que no ano de 1836 promulgou um Decreto (publicado no Diário do Governo nº 229, de 1836) proibindo estes espectáculos púlicos em todo o país como se lê a seguir:

Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de Nações civilizadas, bem assim que semelhantes espectáculos servem unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade, e desejando eu remover todas as causas que possam impedir ou retardar o aperfeiçoamento moral da Nação Portuguesa, hei por bem decretar que de hora em diante fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de touros.”

É lamentável que o governo actual de Portugal, onde impera uma "ditadura democrática" e a própria Igreja Católica do século XXI ainda mantenha uma tradição violenta de outros tempos e se continue maltratando e sacrificando animais inocentes para divertimento das pessoas.

Rui Palmela

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Dê a conhecer a sua opinião, de forma educada, às seguintes entidades:

União das Misericórdias Portuguesas (instituição ligada à Igreja Católica e proprietária de várias praças de touros):
ump@netcabo.pt
Patriarcado de Lisboa:
gab.patriarca@patriarcado-lisboa.pt;
icne.congresso@patriarcado-lisboa.pt
P.e Vítor Melícias:
melicias@netcabo.pt
Franciscanos (ordem à qual pertence o P.e Vítor Melícias):
franciscanosofm@mail.telepac.pt;
conv.varatojo@mail.telepac.pt;
luzofm@esoterica.pt
Agência Ecclesia (site oficial da Igreja Católica e da agência de notícias Ecclesia):
agencia@ecclesia.pt
Papa Bento XVI (endereço exclusivo para falantes de português):
bentoxvi@vatican.va
Rádio Renascença (emissora de rádio católica que promove touradas):
info@rr.pt
Jornal Voz das Misericóridas (jornal da União das Misericórdias Portuguesas):
jvm.geral@mail.telepac.pt
vmredaccao@netcabo.pt

6 comentários:

  1. Bom dia, Rui Palmela!
    Descobri este fantástico blogue agora mesmo.
    Estamos juntos na mesma luta e, pelo que li, o seu perfil é também o meu perfil.

    Será uma honra seguir o seu blogue!

    Um abraço

    Nazaré Oliveira
    suricatina.blogspot.com

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  2. As corridas de toiros não são uma actividade bárbara nem os toiros em Portugal são mortos na arena(vê-se bem que quem faz estes comentáriuos não sabe do que está a falar). As corridas de toiros são uma forma cultural de quem vive para o campo e do campo. Todos os dias são mortos toiros vacas e outros animais nos matadouros em condições deploráveis estando os animais com fome e sede durante + de 24h por vezes.
    Qual è mais cruel manter refém um cão preso num apartamento de 50m2 no meio da cidade, ou criar animais levremente no campo.Há que pensar nestas coisas senhores!!!!!!Conheçam e depois falem!!!!

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  3. Caro "anónimo" (respeito dua opção de não se identificar - é seu direito),

    Começo por dizer que as touradas são mesmo espectáculos bárbaros, sangrentos e violentos, tal como os considera a própria UNESCO em sua declaração de 1980, em que a própria Igreja não se demarca no século XXI e até se envolve impiamente considerando talvez (tal como você) de que é uma questão "cultural" da multidão que se diverte a ver maltratar um animal encurralado numa arena, vibrando de emoção por ter tanta falta de sensibilidade na alma e no coração.

    Doutro modo, considero também triste e lamentável que ainda se mate, diariamente, milhares de animais em Matadouros e charquedas para manter (por questões económicas e não outras) uma degenerada forma de alimentação da população.

    Sou vegetariano há mais de 30 anos e tenho alguma autoridade moral e até espiritual para me pronunciar sobre este assunto e considero que a própria Igreja Católica 'peca' ao não se demarcar do que se passa todos os anos em Barrancos onde são torturados e mortos (e depois despedaçados e distribuidos pela população) vários toiros frente à Capela no fim de uma festa religiosa em "honra de Nª Srª da Conceição" que decerto fica horrorizada com toda essa ABOMINAÇÃO.

    Pausa para reflexão!

    Rui Palmela

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  4. meus amigos, fico triste por ver ainda pessoas que defendem as touradas. Sou contra as touradas, defendo os direitos dos animais, e nao compreendo a Igreija Catolica que tem possiçoes ambiguas. Sendo Deus que criou tanto os homens como os animais, deveria o homem de os respeitar e amar. Por isso estou triste, mas compreendo porque as igreias sao feitas pelos homens, com os pecados e defeitos. Quem leu BIBILIA, compreende que os animais tambem sao filhos de DEUS

    EU NAO TENHO MEDO DE DAR A MINHA CARA - CAMILO SOVERAL

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  5. A salvaçao da humanidade começa por salvar os animais e a natureza.
    No dia em que homem matar o ultimo animal e cortar a ultima arvore... Certamente, vive muito pouco tempo, fale a pena pensar...

    Camilo Vasco Soveral

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